sábado, 16 de junho de 2007

Três notícias em uma

Infelizmente não pude atualizar o blog antes como queria, mas vamos lá:

Royce Gracie

O resultado do exame anti-doping de Royce Gracie chocou o Brasil. E o mundo. Um Gracie, ainda mais um com a história de Royce, é o último de que se suspeitaria o uso de uma substância anabolizante.

Royce disse ao Sherdog.com que não fez uso de nada além de suplementos naturais, e tem até 13 de julho para convencer a Comissão Atlética do Estado da Califórnia.

Paulão Filho

Paulão Filho estará hoje, às 16:00 horas, ministrando um seminário na Academia Kioto, localizada no Conacan no bairro de Candelária, aqui em Natal/RN.

Patrício Pitbull x Jadyson Costa

A entrevista que Jadyson Costa concedeu a Ivan Canello (Portal do Vale Tudo) repercutiu muito, principalmente aqui em Natal e no fórum do Portal.

Uma entrevista tão polêmica quanto a dada pelo atleta de Renato Tavares exigia que houvesse direito de resposta. E este já foi dado.

A publicação da entrevista e resposta de Patrício a Jadyson será feita no domingo, dia 17, também no Portal do Vale Tudo.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Resultados do UFC Fight Night

O Brasil teve uma noite quase perfeita no UFC Fight Night. Além de Tibau, Thiago Tavares tratorizou seu adversário e venceu com um triângulo no segundo round. Já Jucão não teve a mesma sorte e foi finalizado no segundo round por Jon Fitch.

Resultados completos:

Sam Stout x Spencer Fisher (Fisher por decisão)
Roan Carneiro x Jon Fitch (Fitch por finalização no 2º round)
Jordan Radev x Andrew McFedries (McFedries por nocaute no 1º round)
Jason Black x Thiago Tavares (Thiago por finalização no 2º round)
Forrest Petz x Luigi Fioravanti (Petz por decisão)
Tamdan McCrory x Pete Spratt (McCrory por finalização no 2º round)
Jeff Cox vs. Gleison Tibau (Tibau por finalização no 1º round)
Anthony Johnson vs. Chad Reiner (Anthony Johnson por nocaute no 1º round)
Luke Caudillo vs. Nate Mohr (Mohr por decisão).

terça-feira, 12 de junho de 2007

Tibau finaliza!

Gleison Tibau acaba de finalizar Jeff Cox no UFC Fight Night 10.

Tibau evitou a tentativa de queda de Cox no início da luta, rapidamente pegando as costas. O atleta potiguar trabalhou numa tentativa de mata-leão pacientemente por mais de um minuto, e quando seu adversário tentou girar, Tibau aproveitou o braço que Cox tinha deixado exposto e o pegou num katagatame.

Segunda vitória em três lutas no UFC. Segunda em duas lutas na categoria leves e segunda apresentação espetacular do atleta.

Com essa vitória Tibau mostrou mais uma vez que sabe cumprir promessa. Antes da luta no Nordeste Combat Championship, Tibau prometeu vencer com uma joelhada voadora, e cumpriu. Para essa última luta Tibau declarou ao Sherdog.com que seria uma finalização no primeiro round. Dito e feito.

Hoje tem três brasileiros no UFC Fight Night 10

O UFC realiza hoje mais uma das edições "Fight Night". Antigamente conhecido como Ultimate Fight Night (UFN), o evento há algum tempo teve seu nome alterado para Ultimate Fighting Championship Fight Night.

As edições com esse nome geralmente são compostas por cards mais simples, transmissão gratuita pelo canal Spike TV e menos lutas televisionadas. No entanto, o card dessa décima edição do UFC Fight Night está, na opinião de muitas pessoas, inclusive deste que vos escreve, acima da próxima grande edição do UFC, o UFC 72 que ocorrerá na Irlanda.

O UFC Fight Night contará com um dos melhores meio médios do UFC, Jon Fitch (5 vitórias no UFC) contra o brasileiro Roan "Jucão" Carneiro, que faz sua segunda luta no evento. Também presentes estarão os brasileiros Gleison Tibau e Thiago Tavares.

Tibau perdeu em sua estréia no UFC para Nick Diaz numa apresentação atípica, e venceu convincentemente sua luta seguinte. Já Thiago fez apenas uma luta no octógono e saiu vitorioso.

A transmissão do evento será realizada às 22:00 horas no Brasil pelo canal Spike TV, e não terá transmissão para o Brasil. No entanto, quem quiser ficar por dentro dos resultados basta acessar o Sherdog.com ou o site do Portal do Vale Tudo e acessar a seção Vale Tudo do fórum. Os dois sites estarão fazendo o play-by-play do evento em tempo real.

Card completo do evento:

Lutas que serão transmitidas:

Sam Stout x Spencer Fisher
Roan Carneiro x Jon Fitch
Jordan Radev x Andrew McFedries

Lutas que podem ser transmitidas:

Jason Black x Thiago Tavares
Forrest Petz x Luigi Fioravanti
Tamdan McCrory x Pete Spratt
Jeff Cox vs. Gleison Tibau
Anthony Johnson vs. Chad Reiner
Luke Caudillo vs. Nate Mohr

domingo, 10 de junho de 2007

Entrevista - Wilson Gouveia

Como avisado na última sexta-feira, estou colocando no ar hoje uma entrevista exclusiva concedida a mim via e-mail por Wilson Gouveia. Em virtude dessa entrevista não estarei colocando a quinta edição da minha coluna hoje, como havia divulgado que faria.

Creio que a matéria sobre Wilson dispensa apresentações, então sem mais delongas, aí vai a entrevista quase na íntegra, com pequeninas alterações:

Olá Wilson, como você está? Obrigado por aceitar essa entrevista.

R: Beleza, o prazer é meu.

Você tem trilhado um bom caminho no ufc até agora. Muitos estão começando a conhecer o Wilson lutador, mas poucos sabem quem é você de verdade. fale um pouco da sua história, como era sua infância, o que o levou a começar a treinar e como você chegou onde está hoje.

R: Eu acho que minha infância teve duas partes. Antes e depois de perder meu pai... as duas foram muito importantes para a formação do meu caráter. A primeira eu era muito moleque para entender alguma coisa que passava, por isso só brincava e ia ao colégio. Inclusive no dia que meu pai faleceu meu primo foi me buscar no colégio e quando ele me falou o que tinha acontecido eu meio que não tava entendendo, ou simplesmente não queria acreditar que aquilo estava acontecendo na minha família.

Só lembrando, meu pai faleceu com 42 anos de idade. Voltando, nesta época eu morava em Manhuaçu, uma pequena cidade no interior de Minas e até então só tinha praticado karatê. Eu sonhava em ser jogador de futebol, praticamente igual qualquer criança no Brasil sonha em ser. Continuando a história, logo depois que passou aquele primeiro choque... E agora? Essa era a pergunta. Minha mãe nunca tinha trabalhado na vida e tinha agora três crianças para criar sozinha, ela então resolveu voltar para Fortaleza, minha terra natal, e onde estavam todos os parentes dela. Isso foi ótimo, pois mudei de colégio, conheci outros amigos...

Até os 14 anos nunca tinha ouvido esse nome “jiu-jitsu”, a primeira vez que eu conheci o jiu-jitsu foi (quando) um amigo meu levou uma fita do antigo UFC. Depois de ver aquelas lutas... cara, eu fiquei maluco! Só pensava naquilo. Até poster do Royce Gracie eu tinha na minha parede.

Minha mãe no começo falava “vai estudar, menino. Esse negócio de luta é para desocupado (risos)”, e por outro lado eu recebia muita força de dois tios meus, o Paulo e o Josué. Agradeço a eles até hoje. Na época, até pagar mensalidade de academia eles pagavam, compravam vitaminas, me davam grana pra pegar ônibus... Você sabe no Brasil nada é fácil e eles faziam isso de coração, porque ninguém, nem mesmo eu, acreditava que um dia eu poderia estar onde eu estou agora. Simplesmente é um sonho que se tornou realidade. Mas você sabe, viver de jiu-jitsu não é fácil, meu camarada. Pelo menos na minha época não era, não sei agora (risos).

Quando tinha uns 20 anos de idade veio na minha cabeça: “por que eu não vou pros States?” Eu já tinha uma tia lá, seria uma boa. Mas aí ficou aquela dúvida: “como eu vou largar tudo isso aqui em Fortaleza? Esse Sol, as praias, os forrós, a mulherada... (risos). Mas eu não tinha escolha. Eu já tinha 20 anos e tinha que ajudar minha mãe de alguma forma. Então decidi e saí fora pra América.

No começo, meu amigo, é sinistro. Sem falar inglês, sem conhecer nada, eu até pensava que nunca ia aprender a andar aqui porque tudo parecia tão diferente... Mas fui em frente. O trabalho na época era coisa desumana. Eu não tinha hora para comer, trabalhava das 7 da manhã até as 8 da noite. Chegava “morto”. O pior é que eu não podia nem pensar em voltar porque minha família dependia da grana que eu mandava. Vou te falar, foram tempos difíceis, mas depois de muito esforço fui conseguindo me adaptar. Aprendi a falar inglês, conheci ótimas pessoas que me ajudaram muito.

Um belo dia um amigo que sabia que eu treinava e que era faixa roxa me falou: “cara, tem um faixa preta dando aula em uma academia aqui perto, vamos lá?” e falei: “vamos nessa”. No caminho eu ia perguntando para o meu amigo: “quem é esse cara? Ele só sabia que era um baiano. Quando cheguei lá tive o prazer de conhecer o Rodrigo Minotauro, que na época tinha também acabado de chegar aqui nos Estados Unidos. Eu lembro que eu perguntei a ele: “você veio fazer o que aqui, trabalhar ou dar aula?”. Ele me respondeu: “eu vim para lutar vale-tudo”. Eu pensei comigo mesmo “esse aí está maluco (risos).

Foi uma época maneiríssima, mas logo depois que o Rodrigo lutou com Jeremy Horn naquele antigo World Extreme Fight ele resolveu voltar para o Rio porque aqui não tinha mais treino. Aí eu tive que arrumar outro lugar para treinar.

Tive muita sorte de conhecer o Dan Lambert, um cara que até hoje é como se fosse um irmão. Ele me levou para treinar com o Marcelo e o Conan Silveira. Depois de um tempo o Libório chegou, aí virou a toda poderosa ATT. Posso te falar que eu fui o primeiro de tudo.

Um dia fui treinar lá na academia, e tinha um cara treinando para um vale-tudo que ia rolar na semana seguinte. O Marcelo Silveira então me chamou e disse “dá um treino com aquele cara ali”. Eu falei: “beleza”. Com 10 segundos de treino eu estalei o pé dele. Esse cara era o Frank Mir e era sua estréia no vale tudo. O Dan ficou tão impressionado que me chamou para assistir o vale-tudo, logo quando o evento acabou ele perguntou se eu tinha coragem de lutar, aí eu falei: “meu amigo, eu tenho coragem e também muita vontade. Vê se você me coloca aí no próximo. Foi dito e feito. No evento seguinte eu estava estreando no vale -tudo. Foi mais ou menos assim minha historia. Espero que tenha gostado. Desculpe os erros de português. Lembra que minha mãe falava “vai estudar”? Pois é, eu nunca ouvia (risos).

De acordo com o Sherdog.com, você tem uma derrota por nocaute, outras por nocaute técnico, e a decisão para Keith Jardine. No entanto, é do conhecimento de quem lhe acompanha que você nunca foi nocauteado, você pedia para parar quando estava cansado. Você pode falar a respeito das suas 4 derrotas?

R: Na verdade nunca fui nocauteado. Quando cansava eu simplesmente desistia, porque naquela época eu ainda não sabia se realmente queria ou não ser lutador de vale tudo. Eu lutava pela grana e quando você luta pela grana você não chega a lugar nenhum.

É consenso de quem treina ou já treinou na ATT que você tem um potencial incrível ainda inexplorado. Todos que já lhe viram nos treinos dizem que você ainda não mostrou nem metade do que sabe ao mundo. Quando poderemos ver esse Wilson dos treinos em ação?

R: Muito em breve. Eu acredito que agora eu me encontrei e sei o que realmente eu quero para a minha vida.

Quem já houve falar de você há algum tempo sabe que houve uma mudança na sua postura em relação às lutas. O que causou essa mudança de comportamento?

R: Muita influência dos meus amigos da ATT e do Benkei. Os caras sempre acreditaram muito no meu potencial e a única coisa que mudou foi que agora eu realmente treino para lutar.

Você tem quatro lutas no UFC, as últimas três sendo vitórias por finalização. Por que desde a luta com Jardine ainda não lhe vimos no card principal? O que falta para suas lutas serem televisionadas?

R: Para o Brasil eu realmente não sei por que, pois aqui na América elas sempre estão na tv.

Em 13 lutas você nunca enfrentou um brasileiro. Se o UFC resolvesse colocá-lo para em sua próxima luta enfrentar um, como você lidaria com isso?

R: Sou um profissional e não escolho oponente, mas preferia deixar para lutar com um “brazuca” apenas valendo um cinturão. Ainda tem muito gringo aí precisando apanhar. (Risos).

Você é faixa preta de jiu-jitsu de Ricardo Libório e Marcus Aurélio. Já competiu no jiu-jitsu esportivo? Quais foram seus resultados?

R: Competi de kimono até a faixa roxa onde fui campeão Pan-Americano em 2001 até 91 kilos.

O pessoal que acompanha seu treino diz que você é conhecido por ter muita força, tão forte quanto um peso pesado. Inclusive ouvi que quando você treinou com Rodrigo Minotauro e Antônio Pezão eles não tiveram moleza, pelo contrário. Quem viu disse que você fez eles se empenharem ao máximo. Essas histórias são verdadeiras? Comente um pouco a respeito.

R: Na ATT ninguém comenta treino porque treino é treino e luta é luta. Treinei sim com o Rodrigo e com o Pezão e vou te falar que são dois monstros. Foi e é um grande prazer treinar com essas feras sempre que eu posso.

Soube que você treinou também com Kimbo e Melvin Manhoef. pode falar um pouco dessas duas experiências? Você acha que Kimbo pode vir a ser um bom lutador no vale tudo, ou que é melhor ele ficar desafiando as pessoas na rua mesmo?

R: Sim, treinei com os dois. O Melvin é muito bom mesmo, muito forte e explosivo, um ótimo lutador. Já não posso falar o mesmo do Kimbo. Ele realmente foi treinar lá na academia e nunca mais voltou, o coitado. É fraco, está longe de ser um lutador de verdade.

Com a agora confirmada aquisição do Pride pela Zuffa, e a declaração de Dana White que lutarão todos sob a mesma organização, podemos especular a ida de grande parte dos lutadores do Pride para o UFC. Como você vê a vinda de atletas como Maurício Shogun, Ricardo Arona, Rogério Minotouro, Rameau Sokoudjou, Kazuhiro Nakamura, Alistair Overeem, Dan henderson e Wanderlei Silva para o octógono?

R: Ótimo. Isso só faz engrandecer o nosso esporte e aumenta o desafio individual de cada um. E também irá gerar ótimas lutas para os fãs.

O único homem a derrotá-lo no octógono foi nocauteado por um desconhecido até então. Você assistiu à luta entre Keith Jardine e Houston Alexander? O que você achou?

R: Realmente fiquei chocado com a derrota do Keith. Ele estava indo muito bem, caminhando para uma disputa de cinturão, mas o mundo da luta é isso mesmo, pegou no queixo já era. Muita confiança às vezes prejudica. Foi um aprendizado para ele. Você nunca deve subestimar seu oponente.

Vou falar alguns nomes e gostaria que você falasse o que você pensa de cada um.

André Benkei

R: O pai e a mãe de todos na att. É o cara que mudou o rumo da minha carreira. Sem ele com certeza não estaria onde eu estou agora. Devo muito a ele e à medida que vou ganhando a dívida só vai aumentando. (Risos) Eu amo esse cara.

Ricardo Libório

R: Um grande mestre e o maior e melhor treinador de vale tudo do mundo.

Marcus Aurélio

R: Grande mestre, grande lutador e grande amigo. Com certeza o maior lutador que o Ceará já fabricou. Sou fã dele. O cara é foda.

American Top Team

R: Minha segunda casa e minha segunda família. Ali a união é total. É um
por todos e todos por um.

Dana White

R: Um verdadeiro gênio. Agradeço a ele quando estou assinando autógrafos aos fãs. Se não fosse por ele nada disso seria possível.

Chuck Liddell

R: Bom lutador, mas com muitos defeitos.

Quinton Jackson

R: Freguês do Shogun e do Wanderlei e campeão do UFC.

Keith Jardine

R: Não perde por esperar, vou conseguir minha revanche.

Wilson Gouveia

R: Um cara que está humildemente tentando conseguir seu espaço e que ainda vai dar muito o que falar, pode anotar.

Muito obrigado pela entrevista. Deixe um recado para aqueles que acompanham sua carreira e torcem por você.

R: Gostaria de agradecer a todas as pessoas que torcem por mim. Em especial minha família, aos meus irmãos da ATT e meus fãs. Espero dar muita alegria para todos vocês. Obrigado por tudo e fiquem com Deus.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Wilson Gouveia - Em busca de reconhecimento

(Clique na imagem para vê-la em tamanho maior)


Wilson Gouveia recentemente chamou a atenção dos brasileiros e do mundo ao conquistar sua terceira vitória seguida no Ultimate Fighting Championship (UFC), a terceira por finalização. O brasileiro até então desconhecido agora passa a ser observado com outros olhos.

Um dos motivos para a falta de conhecimento do público brasileiro a respeito de Wilson é o fato do atleta de 29 anos estar morando nos Estados Unidos desde os 20, e não ter feito nenhuma luta em solo brasileiro. Se não fosse sua entrada no maior evento de vale tudo na atualidade, e uma grande divulgação de sua equipe, a American Top Team (ATT) no site Portal do Vale Tudo ano passado, Wilson ainda seria um desconhecido.

Para aqueles que não o conhecem, o desempenho de Wilson é uma surpresa. Três vitórias em 4 lutas no UFC não é um resultado alcançado por muitos. Acrescente o fato das três vitórias serem definidas antes da decisão dos juízes e você terá Wilson numa pequena lista de nomes que qualquer promotor gostaria de ter em seu evento.

Engana-se quem pensa que o progresso de agora é resultado de um trabalho recente. O treinamento que vem sendo realizado agora pela American Top Team é a continuação de um estudo iniciado muito antes, quando Wilson ainda era um garoto e treinava Karatê.

No entanto, sua participação no Karatê foi breve, durou apenas dois anos. Wilson, como quase todo brasileiro na infância, sonhava ser jogador de futebol e levava uma vida muito despreocupada, até o falecimento de seu pai, Wilson Henrique de Gouveia, aos 42 anos.

Foi esse triste acontecimento, quando o atleta tinha 12 anos, no entanto, o provável responsável por Wilson estar onde está hoje.

Com o falecimento de seu pai, toda a família se mudou para Fortaleza, capital do Ceará e cidade natal do atleta da American Top Team. Foi lá que Wilson ouviu falar pela primeira vez de Jiu-Jitsu, UFC e Royce Gracie.

“Um amigo levou uma fita do antigo UFC. Depois de ver aquelas lutas eu fiquei maluco! Só pensava naquilo. Até poster do Royce Gracie eu tinha na minha parede.”

Wilson começou a se dedicar ao Jiu-Jitsu, apesar de sua mãe ser contra. “Minha mãe no começo falava ‘vai estudar menino, esse negócio de luta é para desocupado’ (risos)”. Porém o incentivo dos tios Paulo e Josué foram suficientes para fazer o atleta seguir a carreira que lhe consagra hoje.

Aos 20 anos de idade ele teve um pensamento muito comum em alguns brasileiros até hoje. “Por quê eu não vou para os Estados Unidos?”, Wilson se perguntava. Já tinha uma tia nos Estados Unidos, e a idéia de juntar um bom dinheiro lhe parecia promissora. Garante que não foi fácil deixar para trás o forró, o Sol, as praias e as mulheres de Fortaleza, mas tinha uma família para ajudar a sustentar, e não demorou para pisar em solo norte-americano. Lá fez trabalhos em construções e foi manobrista.

“No começo, meu amigo, é sinistro. Sem falar inglês, sem conhecer nada... Eu até pensava que nunca ia aprender a andar aqui, porque tudo parecia tão diferente... mas fui em frente. O trabalho na época era coisa desumana. Eu não tinha hora para comer, trabalhava das 7 da manhã até as 8 da noite. Chegava “morto”. O pior é que eu não podia nem pensar em voltar porque minha família dependia da grana que eu mandava. Foram tempos difíceis, mas depois de muito esforço fui conseguindo me adaptar, aprendi a falar inglês e conheci ótimas pessoas que me ajudaram muito”.

E como ajudaram. Um dos amigos que fez nos Estados Unidos convidou Wilson para ver um baiano faixa-preta de Jiu-Jitsu dando aula perto de onde estavam, e Wilson, na época faixa-roxa, aceitou o convite. Mal sabia ele que estava prestes a conhecer um dos maiores expoentes do vale tudo brasileiro, Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauro.

“Ele também tinha acabado de chegar aqui nos Estados Unidos. Eu lembro que perguntei a ele: ‘você veio fazer o quê aqui? Trabalhar ou dar aula?’ e ele me respondeu: ‘eu vim para lutar vale-tudo’. Eu pensei comigo mesmo: ‘esse aí está maluco’ (risos)”.

Wilson lembra dessa época como uma das melhores de sua estadia nos Estados Unidos, mas que não durou muito. Após um combate com o americano Jeremy Horn em 15 de janeiro de 2000, Minotauro resolveu voltar ao Brasil em busca de treinos melhores.

Sem Minotauro, o atleta teve que procurar um outro local para treinar. Foi nessa procura que ele conheceu Dan Lambert, uma pessoa por quem nutre o sentimento de um irmão. Dan levou Wilson para treinar com os irmãos Marcus e Marcelo Silveira. Mal sabia ele que estava para presentear o início da equipe American Top Team.

“Depois de um tempo o Libório chegou, aí virou a toda poderosa ATT. Posso te falar que eu fui o primeiro de tudo”.

Não foi com o início da equipe, no entanto, que Wilson resolveu treinar vale tudo. A história tem um começo que poucos acreditariam.

Num dia como outro qualquer, Wilson chegou na academia e foi convidado por Marcelo Silveira para dar um treino com um atleta que estava lá se preparando para sua primeira luta de vale tudo, que aconteceria em uma semana. Ele aceitou, e dez segundos após o início estalou o pé de seu adversário. Tratava-se de Frank Mir, que alguns anos depois viria a ser campeão dos pesos pesados do UFC.

Dan Lambert o convidou para assistir à luta de Mir, e após o término do evento perguntou a Wilson se ele teria coragem de subir no ringue. “Eu falei: meu amigo, eu tenho coragem e também muita vontade. Vê se você me coloca aí no próximo. Foi dito e feito, no evento seguinte eu estava estreando no vale tudo.”

O atleta promissor também teve um início promissor. Suas três primeiras lutas terminaram antes do fim do primeiro round, e tudo indicava que Wilson logo figuraria entre os melhores de seu peso, até que a vontade de lutar de Wilson se esvaiu, ele começou a subir nos ringues por outros motivos e sofreu duas derrotas seguidas.

Em seu cartel no site Sherdog.com consta uma derrota por nocaute devido a uma joelhada. Segundo pessoas que estavam presentes, Wilson se jogou no chão e pediu para parar.

“Na verdade eu nunca fui nocauteado. Quando cansava eu simplesmente desistia, porque naquela época eu ainda não sabia se realmente queria ou não ser lutador de vale tudo. Eu lutava pela grana e quando você luta pela grana você não chega a lugar nenhum.”

Uma coisa que Wilson sabe bem. Atualmente em seu cartel constam 9 vitórias e 4 derrotas, mas aqueles que acompanham seus treinamentos dizem sem dúvida alguma que se não fosse por sua falta de vontade ele estaria invicto hoje com 13 vitórias.

Foi apenas recentemente, depois de sua derrota para Keith Jardine no “UFC – Ultimate Fighter 3 Finale”, que Wilson decidiu que definitivamente seria um lutador. Após um começo espetacular, o atleta foi caindo de rendimento devido ao cansaço, o que lhe custou a vitória nos olhos dos jurados.

Para os seus treinadores isto foi um divisor de águas. A partir daí Wilson passou a se dedicar mais aos treinos, e demonstrar no ringue o potencial que toda sua equipe já conhece. Seu preparador físico, André Benkei, no entanto, alerta: “Ele ainda não mostrou nem metade do que pode fazer”.

E pelo que contam seus parceiros de treinos, não fez mesmo. Algumas pessoas ligadas à American Top Team comentam performances extraordinárias do lutador que poucos acreditam sem ter visto. Na lista de atletas que passaram sufoco com Wilson durante os treinos está o gigante Antônio “Pezão” Silva, com 1,93 metro e mais de 140kg. Também o ex-campeão peso pesado do Pride Antônio Rodrigo “Minotauro” Nogueira, o excelente atleta de muay thai e vale tudo holandês Melvin Manhoef e o lutador-de-rua-aspirante-a-lutador-de-vale-tudo Kimbo Slice.

Um alento e tanto para os brasileiros, pois um lutador tão completo quanto Wilson se mostra, e com tantos atributos quanto seus parceiros de treinos e treinadores costumam falar tem tudo para ser a versão brasileira do mito russo Fedor Emelianenko. No momento, só nos resta aguardar.

*Confira domingo, dia 10 de junho, a publicação de entrevista exclusiva concedida por Wilson Gouveia ao blog.

domingo, 3 de junho de 2007

Rani Yahya luta logo mais no WEC

Dando seguimento a seus planos de elevar o nome do WEC nos Estados Unidos, a Zuffa realiza hoje o primeiro evento do World Extreme Cagefighting (WEC) com transmissão ao vivo no canal Versus.

O brasileiro Rani Yahia, que foi campeão do seu peso no ADCC 2007, enfrenta Mark Hominick.

O evento será realizado em Las Vegas, Estados Unidos, e contará com a defesa de cinturão do americano Urijah Faber contra Chance Farrar.

Segue o card completo:

Urijah Faber x Chance Farrar pelo cinturão featherweight do evento.
Rani Yahya x Mark Hominick
Brian Bowles x Charlie Valencia
Alex Karalexis x Josh Smith
John Alessio x Alex Serdyukov
Brock Larson x Kevin Knabjian
Craig Zellner x Brian Stann
Jeff Bedard x Mike French
Micah Miller x Cub Swanson

Royce vence Sakuraba no Dynamite USA!

Royce Gracie impediu Kazushi Sakuraba de acrescentar a seu cartel mais uma vitória em seu cartel. Uma que firmaria ainda mais seu apelido, "Gracie Hunter" (caçador de Gracie).

Numa luta morna, muito aquém do esperado pelos fãs, Royce conseguiu sair com a vitória na decisão dos três juízes, para alegria dos brasileiros.

Uma pena, porém, que Royce venceu mais por deméritos de seu adversário do que por méritos próprios.

Logo no início da luta, Sakuraba aplicou um knock down no brasileiro, e tirando por uma sequência de joelhadas no clinch durante o segundo round que deve ter aprendido durante sua passagem pela Chute Boxe, foi o máximo que conseguiu fazer.

O japonês estava distante de ser aquele homem que até sua queda contra Wanderlei Silva era temido e admirado pelo mundo inteiro. Em outros tempos ele teria castigado as pernas de Royce quando este estava fazendo guarda no chão, do mesmo jeito que já havia feito com Royler e muitos outros. Até o próprio Royce já havia sentido alguns chutes na primeira luta de ambos. Mas o que se viu foi Sakuraba de pé diante de Royce apenas aceitando os chutes que o brasileiro desferia.

Pareceu que não queria ganhar. E quando dois lutadores lutam aquém do que se espera deles, é de se esperar que aquele que busque a vitória faça o suficiente para vencer. Royce fez, e o Brasil e o mundo lhe aplaudem por isso.

Outro brasileiro no card, Gesias Cavalcanti facilmente derrotou Nam Phan com uma interrupção do juiz aos 26 segundos de luta. Após levar a luta ao chão, o brasileiro aplicou um potente ground and pound que liquidou o americano descendente de vietnamitas.

Resultados completos do Dynamite USA! retirados do Portal do Vale Tudo:

- Brock Lesnar venceu Min Soo Kim por desistência (socos) no 1º round;
- Royce Gracie venceu Kazushi Sakuraba na decisão dos jurados;
- Hideo Tokoro venceu Brad Pickett com um armlock no 1º round;
- Yoon Dong Sik venceu Melvin Manhoef com um armlock no 1º round;
- Siala Siliga venceu Ruben Villareal por TKO no 1º round;
- Bernard Ackah venceu Johnnie Morton por KO no 1º round;
- Jake Shields venceu Ido Pariente com um mata leão no 1º round;
- Jonathan Wiezorek venceu Tim Persey por TKO no 1º round;
- Katushiko Nagata venceu Isaiah Hill na decisão dos jurados;
- Gesias Cavalcanti venceu Nam Phan por TKO no 1º round.

sábado, 2 de junho de 2007

CSAC prejudica Gesias Cavalcanti

Durante a pesagem do Dynamite USA! a Comissão Atlética do Estado da Califórnia (CSAC, em inglês)cometeu um erro absurdo para com o brasileiro Gesias Cavalcanti.

Eles colocaram Gesias para ser pesado numa balança que estava desregulada. Esta indicava 2 pounds (medida de peso utilizada, equivalente a 0,91kg) acima do que deveria ser registrado. Somado a isso, o comissário responsável por fiscalizar a pesagem nem ao menos esperou o ponteiro baixar, e disse que Gesias teria pesado 160 pounds (aproximadamente 73kg). O brasileiro exigiu um novo anúncio com o peso real, que era 155 (aproximadamente 71kg), como no contrato, porém os organizadores e a comissão disseram não ser necessário. Gesias, então, iniciou o processo de hidratação.

Dez minutos depois, os treinadores de Nam Phan, adversário do brasileiro, exigiram uma nova pesagem, o que seria impossível visto que o atleta já estava se hidratando. A Comissão Atlética do Estado da Califórnia arcou com as despesas da multa que deveria ser paga a Nam Pham pelo seu oponente lutar acima do peso, e pediu desculpas publicamente ao brasileiro.

Gesias tem o costume de bater 154 pounds (70kg) quando luta no Japão, e para esse evento precisava bater 156, pois a Comissão tolera até 1 pound acima para disputas que não valem cinturão.

Após a pesagem o brasileiro foi encaminhado para o exame anti-dopping, assim como todos os atletas do evento.

Dynamite USA! acontece logo mais

O evento que será uma produção em conjunto do K-1 Heroes e do Elite XC e terá como luta principal Kazushi Sakuraba contra Royce Gracie ocorre hoje às 11 da noite, e não terá transmissão ao vivo por nenhum canal do Brasil. No entanto, os sites Sherdog.com (em inglês) e Portal do Vale Tudo estarão fazendo o play-by-play (contando cada acontecimento) ao vivo.

Para ter acesso ao do Sherdog.com basta acessar a página no horário do evento, e para ter acesso ao play-by-play do Portal do Vale Tudo basta acessar a página do Portal, clicar em Fórum e acessar a seção Vale Tudo.

Card completo do evento:

Royce Gracie x Kazushi Sakuraba
Brock Lesnar x Min Soo Kim
Gesias Calvancanti x Nam Phan
Melvin Manhoef x Yoon Dong Sik
Hideo Tokoro x Brad Pickett
Ruben "Warpath" Villareal x Siala Siliga
Johnnie Morton x Bernard Ackah
Tim Persey x Jonathan Wiezorek
Jake Shields x Ido Pariente